Por BBC, BBC Brasil, Atualizado: 15/11/2010 15:07
Brasil fez 'maior' cobertura da conferência do clima em Copenhague, diz estudo
Países em desenvolvimento, os mais afetados pelo fenômeno, levaram 600 jornalistas à reunião
O Brasil foi o país que publicou o maior volume de notícias sobre a conferência sobre das Nações Unidas sobre o clima em Copenhague, no ano passado, de acordo com um estudo britânico divulgado nesta segunda-feira.
A pesquisa, da Fundação Reuters de Jornalismo e da universidade de Oxford, concluiu que dos 427 artigos publicados nos 12 países estudados, 88 saíram na imprensa brasileira. Em segundo, está a Índia, com 76 notícias, seguida por Austrália (40), Grã-Bretanha (39) e Itália (37).
O relatório confirma ainda que o Brasil levou a maior delegação oficial entre os 119 países que participaram, com 572 pessoas, seguida pelo país-sede, Dinamarca (527), China (333), Estados Unidos (274) e Grã-Bretanha (211).
Entre os órgãos de imprensa que cobriram o evento, as organizações Globo levaram 15 dos cem representantes brasileiros.
O grande interesse da imprensa brasileira elevou para 5% a participação da América Latina entre os jornalistas registrados para a conferência, segundo o estudo.
Em 2007, quando o encontro aconteceu em Bali, esta porcentagem foi de 1%, subindo para 3% no ano seguinte, em Poznan, na Polônia.
'Maior evento'
Já o número de jornalistas brasileiros subiu de 14, em Bali, para cem em Copenhague. Entre os motivos para o grande interesse da imprensa brasileira no tema, o estudo cita:
'Muitos dos principais jornais e revistas do Brasil, inclusive especializados em economia, têm repórteres especializados em ciência ou meio ambiente. A TV Globo, conhecida como uma das maiores empresas privadas de mídia do mundo, que domina o cenário doméstico, frequentemente cobre o assunto.'
A conferência foi considerada o evento não-esportivo que mais atraiu jornalistas até hoje, com cerca de 4 mil registrados. A grande maioria (85%), de países desenvolvidos.
Países em desenvolvimento levaram quase 600 jornalistas à capital da Dinamarca.
Por outro lado, os países que menos espaço dedicaram à histórica reunião sobre mudança climática foram Nigéria, Rússia e Egito.
'Desafio maior'
O levantamento inédito foi realizado pelo estudioso James Painter, que analisou a cobertura sobre Copenhague e entrevistou cientistas e jornalistas.
Ele concluiu que, apesar da intensa cobertura sobre o evento, os aspectos científicos do tema mudança climática foram pouco explorados.
'Levar a ciência à mídia vai permanecer um desafio ainda maior em tempos em que audiências e editores em vários países sofrem de fadiga climática', afirmou Painter.
Para ele, é preciso maior discussão entre cientistas, jornalistas e legisladores para que o assunto se mantenha em pauta.
O estudo se concentrou na imprensa de 12 países: Austrália, Brasil, China, Egito, Índia, Itália, México, Nigéria, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos e Vietnam.
No Brasil, foram examinadas notícias publicadas nos sites e jornais Folha de S. Paulo e Super Notícia.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
Nas sociedades indígenas da Amazônia, crianças tinham uma mãe e muitos pais
12 de novembro de 2010 | 16h 17 - EFE
Conforme a pesquisa, o modelo trazia vantagens para a mulher, num sistema onde havia muitas guerras
A paternidade múltipla, baseada na crença de que vários homens podiam contribuir para a concepção de uma criança, foi a técnica mais usada nas sociedades indígenas da Amazônia, segundo um estudo da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos.
Os autores do artigo publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, estimam que até 70% das comunidades do amazônicas usavam o princípio da paternidade múltipla.
"A concepção era vista como um processo gradual no qual se somavam contribuições de esperma de vários homens", descreveu o estudo realizado no Brasil, Paraguai, Argentina, Bolívia, Peru, Equador, Venezuela, Colômbia e Guianas.
Conforme a pesquisa, o modelo trazia vantagens para a mulher, por se acreditar que "pais secundários" contribuíam geneticamente, e por garantir que seus filhos sempre teriam pelo menos um pai, numa sociedade que frequentemente estava em guerra.
O estudo esclareceu que os pais "secundários" costumavam ser parentes ou amigos do companheiro oficial.
"Este costume começou há 5 mil anos e se manteve na maioria das sociedades da região até as últimas duas gerações, provavelmente ainda exista em 20 ou 30 comunidades", explicou um dos autores, o antropólogo Robert Walker à Agência Efe.
A técnica é rara dentre as antigas civilizações, com registros de casos isolados na Índia e na Papua-Nova Guiné.
Conforme a pesquisa, o modelo trazia vantagens para a mulher, num sistema onde havia muitas guerras
A paternidade múltipla, baseada na crença de que vários homens podiam contribuir para a concepção de uma criança, foi a técnica mais usada nas sociedades indígenas da Amazônia, segundo um estudo da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos.
Os autores do artigo publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, estimam que até 70% das comunidades do amazônicas usavam o princípio da paternidade múltipla.
"A concepção era vista como um processo gradual no qual se somavam contribuições de esperma de vários homens", descreveu o estudo realizado no Brasil, Paraguai, Argentina, Bolívia, Peru, Equador, Venezuela, Colômbia e Guianas.
Conforme a pesquisa, o modelo trazia vantagens para a mulher, por se acreditar que "pais secundários" contribuíam geneticamente, e por garantir que seus filhos sempre teriam pelo menos um pai, numa sociedade que frequentemente estava em guerra.
O estudo esclareceu que os pais "secundários" costumavam ser parentes ou amigos do companheiro oficial.
"Este costume começou há 5 mil anos e se manteve na maioria das sociedades da região até as últimas duas gerações, provavelmente ainda exista em 20 ou 30 comunidades", explicou um dos autores, o antropólogo Robert Walker à Agência Efe.
A técnica é rara dentre as antigas civilizações, com registros de casos isolados na Índia e na Papua-Nova Guiné.
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